TAQUARITINGA CONECTADA AO FUTURO - Vanderlei Mársico
O caos na saúde pública
06/02/2012 por Tribuna
Amigos e amigas de Taquaritinga
Vitorioso nas eleições de 2004, o atual prefeito afirmava na oportunidade ser possível "acabar com as filas nos postos e aumentar o número de consultas, exames e cirurgias eletivas, ou seja, aquelas que podem ser marcadas sem urgência" (Nosso Jornal/1º de janeiro de 2005).
Desabafo de uma moradora de 61 anos, da Vila São Sebastião, esta semana, no Canal Um é Notícia, revela que a situação não mudou e que a população continua enfrentando o mesmo calvário denunciado em anos anteriores pelo então candidato Paulo Delgado.
"A gente vê senhoras com crianças chegando de madrugada, esperam para medir pressão, depois esperam o médico chegar lá para as 9h ou 10 horas, isso quando vem. Em muitos casos, o médico liga no postinho e diz que não pode atender naquele dia", afirmou a mulher.
"Eu só queria mais respeito pra mim e pra todo mundo. Não é pra isso que a gente paga o imposto?", questionou a moradora. "Em época de eleição, o candidato vem na sua porta, ele abraça, beija, toma café. Acabou a eleição, você não vê um passar por aqui. A gente se sente esquecida, mas fazer o quê? Tem de esperar a vontade deles", resignou-se.
A situação crítica da saúde em Taquaritinga só se resolve com vontade política. E não adianta os políticos ficarem chorando que não há verba suficiente se a gente sabe que quando esta existe é corroída por dois tipos de cupins insaciáveis: a má gestão e a corrupção, irmãs siamesas, como disse Armando Negreiros, presidente da Comissão de Saúde da OAB/RN. Os escândalos se sucedem e a gente não vai perder tempo em citá-los, pois o povo quer saber é de solução.
O amigo e saudoso Dr. Fued Simão afirmava que um dos principais problemas na Saúde é que os administradores gostam de investir em prédios e viram as costas para as equipes médicas, muito mal remuneradas e desmotivadas. Não sou médico nem especialista na área, mas sempre tive a maior admiração pelo profissional Fued Simão.
Ele dizia que a principal preocupação do governante é orientar as famílias, prevenir doenças e desafogar a rede pública. Foi nesse sentido que ele implantou, com a ajuda do deputado Ricardo Izar, o Programa Saúde da Família, no Jardim Paraíso.
A UBS do bairro contava com um médico generalista que atendia a população do bairro, realizava visitas domiciliares e a pacientes acamados. Ou seja, um pouco daquilo que chama "ser médico". Ele chamava a pessoa pelo nome, conhecia a família, trabalhava com agentes comunitários que, semanalmente visitavam as famílias e faziam acompanhamento e orientações, resgatando a cidadania com qualidade de vida.
Esse programa, ao invés de ser ampliado para a Vila São Sebastião e Talavasso, por exemplo, foi extinto pela atual administração. O resultado são as filas enormes nos postinhos, gente que espera meses ou anos para conseguir ultrassonografia, tomografia, ressonância magnética, materiais de alto custo, como stents, órteses e próteses, ou procedimentos cirúrgicos especializados.
O povo continua à mingua e os médicos descontentes. No início do ano passado, profissionais da saúde ameaçaram paralisar o atendimento por falta de pagamentos de salários. Na oportunidade, o presidente da cooperativa, Dr. Manoel Barreto Chaves, afirmou que "'os médicos se sentiam desrespeitados e que o problema se tornou constante nos seis anos, desde que o atual prefeito assumiu a administração do município". O médico também chegou a criticar a falta de palavra do chefe do Executivo. "É a mesma ladainha toda vez", disse.
Os pobres, aqueles que realmente precisam, os que não podem pagar planos e seguros, são as únicas vítimas dos nossos governantes, completamente alheios ao sofrimento da população. Repito, o caos na saúde pública se deve à falta de vontade política para resolver o problema. Por má gestão ou por corrupção, irmãs siamesas!
VANDERLEI MARSICO
contato@vanderleimarsico.com.br.
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