CULTURA EM DESTAQUE - Sérgio A. Sant'Anna
20/02/2012 por Tribuna
Liberdade para criar, desvencilhar-se das amarras do passado e se registrar no futuro.
Um pai reclama por ter que comprar um livro paradidático para seu filho no valor de R$12,35. Isso num colégio particular! Porém ele bebe, fuma, comprou um vídeo-game ao pupilo no final do ano passado e este ano prometeu um notebook em seu aniversário. Não dá! Bens materiais se acabam, porém o conhecimento ninguém nos tira.
Depositamos no papel sugestões que nunca seguiríamos e que fazemos questão que os nossos leitores as reproduzam. É como Pessoa cantava: “O poeta é um fingidor/ Finge tão completamente que chega a sentir dor...”.
A palavra ficção é romana. O verbete era utilizado para designar uma situação em que um cidadão romano precisava ser processado. Muitos não tinham essa denominação de cidadania, e para processar um escravo, fingia-se que ele era cidadão romano. Depois de julgado e condenado, retirava-se a falsa cidadania.
Um estudo da Universidade de Oregon, EUA, constatou que o leitor de jornal em papel retém mais informação que um leitor pela internet. Segundo a pesquisa, “os leitores on-line tendem a passar os olhos nos textos, enquanto o leitor de jornal impresso tende a ser mais metódico”. O estudo é intitulado “Medium Matters”, Questões do Meio.
O povo está dominado pela intolerância e violência. Estamos impotentes diante da sua ascensão catastrófica. Como diria Dostoievski: “Não é o cérebro que importa mais, mas sim o que o orienta: caráter, o coração, a generosidade e as idéias”.
Ler é como respirar, função essencial. Talvez pudesse viver sem escrever, mas ler, jamais! Cervantes em seu apego à leitura lia pedaços de papel rasgados nas ruas.
A Semana de Arte Moderna de 22, que esta semana completou 90 anos, foi um marco na história brasileira, principalmente para o mundo das artes (pintura, música, literatura etc.). Nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, em meio às comemorações de um século da Independência Brasileira, artistas como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Anita Malfatti e Tarsilla do Amaral (este o grupo dos cinco), além de Manuel Bandeira, Heitor Villa-Lobos, Graça Aranha, Di Cavalcanti e Vitor Brecheret. A semana que não foi uma semana aconteceu em três dias, provocou vaias, protestos, mas causou a transformação. Ao contrário do que muitos pensam, Bandeira e Tarsilla não participaram das apresentações.
Quando alguém diz a ti: “Bom dia”, não quer dizer que seu dia seja bom, agradável, porém simplesmente para cumprimentá-lo. Ato mecânico!
Os méritos do não-fechamento do Cine São Pedro no início dos anos 90 couberam ao inesquecível Guilherme Franco e a equipe de amigos que compunha a ACULTA, porém os jovens e envolvidos diretamente com o “Movimento Pró-Cine São Pedro” possuem seus méritos sim. Anseiam por cultura e não querem assistir ao filme do passado, que reestreou há quatro anos: “Cinema Fechado”. Os jovens, “filhos”, aprenderam com o “pai”: há que se labutar!
Não peça para ser admirado, amado, ou respeitado, estes são construídos sem pressão.
Não tenho mais o rosto que tinha no passado. Meus cabelos estão brancos, minha barba também. Meus dentes caem como no princípio de minha infância, confesso que senti certo sentimento pueril.
Frase da Semana: “O silêncio e a tolerância são o vinho dos fortes, a reação impulsiva é a embriaguez dos fracos”. (Augusto Cury – psiquiatra e escritor)
Frase para os Séculos: “Só uma coisa fica proibida: amar sem amor”. (Thiago de Mello – poeta)
Adendo: Meu maestro são os livros, mas sigo realizando minhas canções. No entanto, ainda, estão brincando de seu chefe mandou...
|